Clique para expandir!
  1. A ETCC possui algum efeito adverso?

    A ETCC é estudada há mais de dez anos, sendo que já foram feitos testes em mais de 5000 voluntários, tanto saudáveis, quanto portadores de condições neurológicas, psiquiátricas e reumatológicas. Até o momento, nenhum efeito adverso grave foi relatado, ou seja, não há nenhum caso relatado que o voluntário de uma sessão de ETCC tenha necessitado de hospitalização, socorro médico ou tenha corrido risco de vida. Mais especificamente, não houve relatos de qualquer evento neurológico grave (Acidente Vascular Cerebral, crise convulsiva etc.) após o uso da ETCC. A longo prazo, não há relato de que o uso da ETCC tenha resultado em declínio cognitivo ou qualquer “sequela” neurológica.
  2. Isto significa que posso utilizar a ETCC em casa?

    Esta é uma dúvida que temos recebido com bastante frequência. Temos recebido relatos de pessoas que tentam “montar” aparelhos de estimulação transcraniana para uso pessoal, pedindo-nos instruções técnicas. Em outros casos, estas pessoas montam o aparelho e perguntam-nos como utilizá-lo. Repudiamos fortemente o uso da ETCC desta maneira e não criamos este site para promover o “auto-uso” da ETCC, e sim porque desejamos criar um fórum e espaço de discussão para profissionais e voluntários interessados no tema.

    Vale lembrar que a ETCC envolve o uso de um aparelho biomédico classe II que deve ser utilizado com supervisão médica ou de profissional habilitado, que conhece os parâmetros e doses adequados para que não haja riscos. Vale lembrar que a técnica é nova e que ainda há vigilância ativa para possíveis efeitos não observados ou não esperados.

  3. O que a pessoa sente quando recebe a ETCC?

    Efeitos comuns da ETCC são: formigamento, prurido, desconforto (sensação de “pinicamento”/”pinicação”) e ardência. Vale lembrar que todos estes efeitos são muito leves e acontecem apenas nos primeiros minutos de estimulação, no local em que os eletrodos são aplicados.
  4. Quais as principais patologias estudadas na ETCC?

    Na psiquiatria: depressão maior, transtornos ansiosos e transtorno afetivo bipolar.

    Na neurologia: tinnitus (zumbido), reabilitação motora pós-AVC, epilepsia, cefaléia.

    Na fisiatria: dores crônicas, fibromialgia, dores localizadas, reabilitação.

    Quando a ETCC é estudada para o tratamento destas condições, seu uso se dá de forma diária (por exemplo, 30 minutos por dia, durante 2 semanas consecutivas). Neste caso, acredita-se que a estimulação contínua induz mudanças na atividade neuronal de longo prazo, com os efeitos da estimulação durando várias semanas após o período de estimulação.

    Veja maiores informações em usos da estimulação transcraniana por corrente continua.

  5. E quais são as principais linhas de pesquisa utilizando a ETCC em voluntários saudáveis?

    Muitos estudos com ETCC são feitos visando a ampliação das funções cognitivas (memória, atenção, linguagem, memória operacional, entre outros). Vale lembrar que nestes estudos compara-se o desempenho do próprio sujeito entre antes da estimulação e no momento ou logo após da estimulação. Os efeitos são na maioria das vezes sutis (detectados apenas por testes de computador ou por baterias neuropsicológicas específicas) e seus efeitos não costumam durar mais de poucas horas depois da ETCC.

  6. Qual a diferença da Estimulação Magnética Transcraniana e da ETCC?

    Primeiramente, são aparelhos bastante diferentes: A EMT é um aparelho grande, que pesa cerca de 40kg, e que utiliza uma bobina relativamente grande para estimular o cérebro. A ETCC é um aparelho pequeno, portátil, que não pesa mais de 1-2kg e que utiliza dois eletrodos de 5×5 ou 5x7cm para estimular o cérebro. A EMT gera um campo magnético oscilante de 4 Tesla e com isso consegue induzir disparos nos neurônios situados abaixo da bobina. A ETCC utiliza duas pilhas elétricas para gerar uma corrente elétrica direta de 0,5 a 2MA e com isso consegue polarizar os neurônios situados abaixo dos eletrodos (geralmente 2 – o anodo e o cátodo). Assim, a EMT é mais custosa, tanto em relação ao aparelho quanto ao seu uso por aplicação.

    A EMT é bem mais estudada do que a ETCC. A EMT começou a ser estudada em 1986 e a ETCC em 2000 (apesar de haver estudos com ETCC nos anos 1960, estes foram poucos e não-sistemáticos). A EMT também é uma ferramenta diagnóstica, podendo ser usada para verificar a eletrofisiologia motora. A ETCC, até o momento, não tem aplicação diagnóstica.

    Quanto à pesquisa científica, ambas apresentam vantagens e desvantagens. Em animais, por exemplo, é mais fácil utilizar a ETCC (é mais facilmente adaptável do que a EMT). Em pesquisas clínicas (de tratamento) a ETCC também leva vantagem em relação a EMT: isto porque a estimulação “simulada” (placebo) da ETCC é muito mais simples e confiável do que da EMT. A ETCC também é mais fácil de ser ensinada do que a EMT, e mais fácil de ser aplicada por pesquisadores com menos experiência. Em pesquisas de eletrofisiologia, contudo, a EMT é mais vantajosa.

    Do ponto de vista clínico, a EMT e a ETCC são dois aparelhos biomédicos classe II (ou seja, considerados de risco mínimo para o paciente). A EMT está em fase IV de pesquisa (a mesma de todos os remédios vendidos em farmácia), ou seja, já é comercializada livremente, sendo feitas pesquisas em outras condições que nao àquelas que a EMT foi incialmente aprovada. A ETCC está em fase II de pesquisa para a maioria das condições estudadas, ou seja, foram feitos estudos preliminares com resultados promissores, porém necessitam-se de estudos maiores, com mais pacientes, para confirmar sua eficácia. Assim, a EMT pode ser indicada como alternativa terapêutica para os tratamentos às quais a mesma foi aprovada, enquanto a ETCC deve ser considerada um dispositivo ainda experimental, possivelmente benéfica, porém incerto.

  7. Em que localidades no Brasil são feitas pesquisas com ETCC?

    Listamos os principais centros de pesquisa de ETCC no Brasil (caso você conheça um centro que não tenha sido listado, por favor nos avise!):

    São Paulo (SP):

    • USP – Hospital Universitário – Centro de Pesquisas Clínicas – Pesquisas em ETCC e transtornos do humor.

    • Universidade Mackenzie – Laboratório de Neurociência Cognitivas e Social – Pesquisas com ETCC em voluntários saudáveis em relação à cognição e comportamento social. Também realiza pesquisa em pacientes com transtornos do desenvolvimento.


    Vitoria (ES):

    • UFES – Centro de Ciências de Saúde – pesquisas em ETCC e dependências químicas.

    Porto Alegre (RS):

    • UFRGS – HC – Laboratório de Dor e Neuromodulação – pesquisas com ETCC na área de dor.

    Recife (PE):

    • UFPE – pesquisas com ETCC na área de reabilitação de pacientes neurológicos.
  8. E no mundo?

    Diversos centros de pesquisa ao redor do mundo estudam a ETCC – ou tDCS (transcranial direct current stimulation). Dentre eles, destacam-se vários centros nos EUA (Harvard UniversityBethesda – NIMHDuke UniversityColumbia e outros), na Europa (Londres, GottingenMilao e outros) além de centros importantes na Austrália. A tDCS também é estudada por pesquisadores de vários outros países, como Canadá, Portugal, Espanha, França, Suíça , Israel, Nova Zelândia e Japão.